FILME FORREST GUMP, MOSTRA A AÇÃO DE DEUS NA VIDA DE QUEM ACREDITA E TEM FÉ
Uma história sobre destino, acaso, escolhas e fé mostra que nem sempre aquilo que parece uma derrota é o fim da história.
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| Cena do Filme: Forrest Gamp - O Contador de Historias |
"Jesus, isso... Jesus, aquilo... Sabe o que eles me disseram? Que se eu encontrar Jesus, eu vou andar com ele no reino dos céus. Que conversa mais fiada!"
A frase é dita pelo tenente Dan Taylor, personagem interpretado por Gary Sinise, em um dos momentos que melhor revelam a sua revolta contra Deus.
E talvez seja justamente aí que começa uma das mensagens mais interessantes de Forrest Gump.
O filme, dirigido por Robert Zemeckis e lançado em 1994, acompanha a vida de Forrest Gump, interpretado por Tom Hanks, um homem de inteligência limitada, mas de uma simplicidade e uma fé quase infantis. Ao longo da história, Forrest atravessa acontecimentos que parecem grandes demais para alguém como ele: participa da Guerra do Vietnã, torna-se jogador de futebol americano, joga tênis de mesa internacionalmente, conhece presidentes dos Estados Unidos, enriquece com a pesca de camarões e acaba se tornando testemunha de importantes acontecimentos da história americana.
Mas, para mim, a grande questão do filme não está apenas na incrível trajetória de Forrest.
Está naquilo que acontece por trás dela.
Forrest não parece passar a vida tentando controlar o próprio destino. Ele simplesmente segue em frente.
Quando sua mãe diz que a vida é como uma caixa de chocolates, na qual nunca sabemos o que vamos encontrar, o filme apresenta uma das suas principais questões: será que nossa vida é resultado apenas do acaso ou existe algo maior conduzindo os acontecimentos?
E o próprio Forrest, já no final da história, não consegue responder completamente.
Ele admite não saber se cada pessoa possui um destino ou se todos nós estamos apenas sendo levados pelo vento, como uma pena.
Talvez, segundo ele, sejam as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
E é justamente essa dúvida que torna a história tão interessante para quem procura enxergar nela uma dimensão espiritual.
Forrest não parece ter uma grande compreensão sobre os mistérios da vida. Ele não passa o tempo tentando descobrir os planos de Deus. Ele simplesmente vive.
E talvez esteja aí uma das maiores mensagens do personagem.
Enquanto muitas pessoas passam a vida tentando entender Deus, Forrest simplesmente confia.
Ele não precisa compreender tudo para continuar caminhando.
O contraste fica ainda mais evidente quando aparece o tenente Dan.
Dan acredita que possui um destino definido. Sua família tinha uma tradição militar, e ele acreditava que morreria em combate como seus antepassados. No Vietnã, porém, Forrest salva sua vida.
Dan perde as pernas e sobrevive.
E é justamente isso que ele não consegue aceitar.
Para ele, Forrest não o salvou.
Forrest tirou dele aquilo que deveria ter sido seu destino.
Dan acreditava que deveria morrer como herói. Em vez disso, ficou vivo, mutilado e revoltado com Deus.
Ele passa a enxergar sua própria sobrevivência como uma punição.
Enquanto Forrest agradece pela vida, Dan questiona por que ainda está vivo.
Enquanto Forrest aceita aquilo que acontece, Dan luta contra aquilo que não consegue compreender.
E essa diferença entre os dois personagens é fundamental.
Forrest segue vivendo.
Dan segue reclamando.
Até que os dois acabam trabalhando juntos em um barco de camarões.
E é nesse momento que o filme apresenta, talvez, a sua cena mais interessante para uma interpretação religiosa.
A pescaria não dá resultado.
Não há camarões.
Dan, que já havia demonstrado sua revolta contra Deus, ironiza a fé de Forrest e praticamente o desafia a rezar para que Deus mande os camarões.
Forrest leva aquilo a sério.
Ele começa a frequentar a igreja e a rezar.
Dan também aparece algumas vezes, mas deixa a oração para Forrest.
Até que, certo dia, depois de mais uma pescaria sem resultado, Dan pergunta:
"Onde está esse seu Deus?"
E Forrest responde narrando a história:
"É engraçado o tenente Dan ter dito isso, porque foi justamente naquele momento que Deus apareceu."
Então chega a tempestade.
E Dan, em vez de fugir, enfrenta a tempestade como se estivesse finalmente diante do próprio Deus.
Ele sobe ao barco e desafia a força da natureza.
Grita.
Briga.
Enfrenta.
É como se estivesse dizendo: "Agora é entre nós dois."
Forrest, ao contrário, está assustado.
Dan quer lutar contra Deus.
Forrest simplesmente tenta sobreviver.
Depois da tempestade, vem a notícia: o furacão destruiu praticamente toda a atividade pesqueira daquela região, mas o barco de Forrest foi o único que sobreviveu.
E é justamente depois disso que a vida dos dois muda.
A pesca de camarão finalmente prospera.
A empresa cresce.
Forrest enriquece.
E Dan, que durante tanto tempo acreditou que Deus havia lhe roubado o destino, começa lentamente a mudar.
Mas existe algo ainda mais profundo nessa transformação.
Dan não precisava apenas de pernas.
Ele precisava encontrar uma razão para continuar vivendo.
E talvez essa fosse a verdadeira batalha daquele personagem.
Deus, na interpretação que faço do filme, não estava simplesmente tentando devolver as pernas de Dan.
Estava tentando devolver a ele a própria vida.
Isso é muito diferente.
Porque algumas vezes nós também confundimos aquilo que queremos com aquilo de que realmente precisamos.
Dan queria morrer como herói.
A vida, porém, lhe apresentou outro caminho.
Ele perdeu as pernas, mas ganhou uma nova oportunidade.
E, depois da tempestade, aparece uma das cenas mais bonitas dessa transformação.
Dan finalmente entra na água.
Ele havia passado grande parte da vida acreditando que seu corpo mutilado era o símbolo daquilo que havia perdido.
Mas, naquele momento, ele entra no mar.
E Forrest observa.
Não há um grande discurso religioso.
Não há uma aparição divina.
Não há uma explicação sobrenatural.
Há apenas um homem que, depois de passar anos lutando contra a própria existência, finalmente parece fazer as pazes com ela.
É por isso que acredito que Forrest Gump pode ser enxergado como muito mais do que uma história sobre um homem simples que teve uma vida extraordinária.
É uma história sobre pessoas que não entendem o caminho que estão percorrendo.
Forrest não sabe para onde sua vida vai.
Dan acha que sabe.
E talvez seja justamente Forrest quem esteja mais preparado para viver.
Porque ele aceita.
Ele ama.
Ele perdoa.
Ele continua.
Ele não fica tentando descobrir por que tudo aconteceu.
Ele simplesmente segue.
E talvez a fé seja justamente isso.
Não significa compreender todos os acontecimentos.
Significa continuar caminhando mesmo quando não conseguimos enxergar o caminho inteiro.
A pena que aparece no início e no final do filme reforça essa ideia de algo que é levado pelo vento, sem que saibamos exatamente onde irá pousar. O próprio filme deixa aberta a discussão entre acaso e destino.
E é aí que cada pessoa pode fazer sua própria interpretação.
Para alguns, Forrest teve apenas sorte.
Para outros, tudo foi consequência de suas escolhas.
Para outros, existe uma força maior conduzindo os acontecimentos.
Eu prefiro enxergar uma combinação dessas coisas.
Porque acredito que Deus não precisa controlar cada passo que damos para estar presente em nossa caminhada.
Talvez Ele simplesmente coloque algumas portas diante de nós.
E nós decidimos se vamos atravessá-las.
Forrest atravessou.
Dan passou boa parte da vida tentando derrubá-las.
No final, os dois chegam a um lugar que nenhum deles poderia imaginar.
E talvez essa seja a grande mensagem espiritual de Forrest Gump:
Nem sempre aquilo que parece uma tragédia é o fim.
Nem sempre aquilo que parece uma perda é realmente uma perda.
E nem sempre aquilo que queremos para nossa vida é aquilo que precisamos.
Às vezes, a tempestade chega justamente quando estamos perguntando onde Deus está.
E talvez seja somente depois dela que conseguimos perceber que Ele nunca deixou de estar ali.
Por: William C. Simas
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