Nikolas Ferreira é denunciado por difamação após vídeo polêmico sobre ex-prefeito de BH

Deputado associou livro de Fuad Noman à pedofilia durante eleições; MP Eleitoral pede suspensão de direitos políticos

Foto: reprodução


Deputado Nikolas Ferreira é acusado de difamar Fuad Noman em vídeo de campanha; MP pede suspensão de direitos e indenização simbólica.


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o estadual Bruno Engler (PL-MG) foram formalmente denunciados pelo Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais por difamação cometida durante as eleições de 2024. A denúncia se baseia em um vídeo divulgado nas redes sociais em que Nikolas associa o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, à pedofilia, usando como justificativa um trecho do livro “A Cobiça”, escrito por Noman em 1994.

No vídeo, Nikolas classifica a obra como “livro pornográfico” e destaca uma cena de estupro coletivo de uma criança, presente na narrativa ficcional. O parlamentar afirma ainda que “o problema é quando a ficção vira a realidade”, insinuando ligação entre o conteúdo literário e a vida pessoal do autor. Fuad Noman, falecido em março deste ano, era candidato à reeleição em Belo Horizonte e adversário de Bruno Engler, apoiado por Nikolas.

Segundo o MPE, as declarações configuram distorção intencional com fins eleitorais, com potencial para manipular o eleitorado. O juiz Adriano Zocche, responsável pelo julgamento à época, determinou a remoção imediata do conteúdo, estipulando multa de R$ 5 mil por hora de descumprimento e concedeu a Noman o direito de resposta no horário eleitoral gratuito destinado a Engler.

Apesar da ordem judicial, Nikolas não apagou o vídeo de suas redes sociais. Com a nova denúncia apresentada agora em julho, o MP Eleitoral pede a suspensão dos direitos políticos de Nikolas Ferreira e requer indenização por danos morais a ser destinada a uma instituição escolhida pela família de Noman.

A denúncia reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão na política e a responsabilidade de figuras públicas durante disputas eleitorais. O caso também ganha peso pelo fato de envolver um conteúdo literário retirado de contexto e usado como instrumento de ataque pessoal — o que reforça as críticas ao uso de estratégias de desinformação durante campanhas políticas.


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