CRISE NOS CORREIOS LEVA A CORTES, FECHAMENTOS E ALERTA PARA ROMBO BILIONÁRIO

Estatal projeta déficit crescente e acelera plano de reestruturação em meio à pior crise em anos

Foto: reprodução / TV Globo


Correios enfrentam rombo que pode chegar a R$ 10 bilhões e iniciam corte de gastos.

Os números mais recentes divulgados pelos Correios reacenderam o alerta sobre a situação financeira da estatal. Após registrar lucros entre 2017 e 2021, a empresa voltou a operar no vermelho nos últimos anos e já acumula mais de R$ 4 bilhões em prejuízos, com previsão interna de que o rombo possa alcançar R$ 10 bilhões até o fim do ano.

A crise impacta diretamente o resultado das demais estatais federais. De acordo com projeções do próprio governo, o setor público deve fechar 2025 com déficit superior a R$ 9 bilhões, sendo grande parte atribuída às perdas dos Correios, que há uma década não realizam investimentos compatíveis com a expansão e a competitividade das empresas privadas do setor de entregas.

Diante do cenário, a estatal iniciou um plano de reestruturação considerado o mais profundo desde sua criação. O pacote inclui cortes de pessoal, encerramento de ao menos 1.000 agências deficitárias e uma reavaliação de processos internos. A intenção é reduzir despesas, modernizar operações e buscar alternativas para manter a empresa ativa diante da perda de mercado.

Entre as medidas já anunciadas está a venda de imóveis em todo o país, estimada para arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão. Um dos bens listados é o terreno dos Correios localizado na Rua Benjamin Constant, no Barreto, em Niterói, atualmente abandonado e sem utilização. Em São Gonçalo, a agência da Praça Zé Garoto passou a operar apenas com serviços de entrega e teve seu quadro de funcionários reduzido.

Foto: Google Maps - Terreno do Correios no Barreto, Niterói


Paralelamente, os Correios tentam viabilizar novos financiamentos. A direção da empresa busca empréstimos que podem chegar a R$ 20 bilhões, embora negociações recentes tenham sido travadas pela taxa de juros considerada elevada. A estatal afirma que só avançará com contratos que não agravem ainda mais o impacto financeiro.

Especialistas ouvidos pelo setor defendem que a saída para o colapso dos Correios passa por parcerias com empresas privadas, modernização tecnológica e redução da dependência de decisões políticas. Para eles, a estatal precisa de um modelo de gestão mais flexível e adequado ao ambiente competitivo atual, sob risco de aprofundar o déficit e comprometer serviços essenciais em várias regiões do país.

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