FERROVIAS DO RIO À BEIRA DA TROCA DE CONTROLE EM MEIO A CAOS OPERACIONAL

Com a saída da SuperVia marcada para 2026, futuro da malha ferroviária ainda é incerto e cenário atual expõe abandono e insegurança.

Foto: reprodução


Sistema ferroviário do Rio vive abandono e insegurança enquanto aguarda nova operadora.

A malha ferroviária que liga o Rio à Baixada Fluminense está prestes a mudar de mãos após quase trinta anos sob gestão da SuperVia, que deixa oficialmente a operação em 16 de março de 2026. O governo estadual ainda não definiu quem assumirá o sistema, mas quem entrar terá pela frente um desafio proporcional ao tamanho do problema acumulado ao longo dos anos.

Nos últimos dias, um giro por trechos de Deodoro, Santa Cruz, Paracambi e Japeri revelou um cenário marcado por degradação e ausência de fiscalização. Estações parcialmente abandonadas acabaram transformadas em pontos de consumo de drogas, enquanto usuários circulam livremente por áreas internas sem qualquer controle. Vagões depredados, plataformas deterioradas e banheiros inutilizados — quando existem — reforçam o quadro de abandono. Em Paracambi, por exemplo, nem banheiro há para os passageiros.

A insegurança faz parte da rotina. Em Deodoro, pessoas continuam atravessando os trilhos como alternativa ao transporte precário, prática que virou comum diante da falta de ordem e sinalização adequada. Vagões abandonados formam um verdadeiro “cemitério de trens”, e em estações como Padre Miguel e Senador Camará o fluxo desordenado de passageiros invade áreas restritas o tempo inteiro.

Além do medo, quem depende do serviço enfrenta superlotação diária e tarifas consideradas incompatíveis com a qualidade oferecida. O bilhete comum custa R$ 7,60, enquanto o social sai a R$ 5, valores que pesam no bolso de quem encara escadas rolantes quebradas, acessibilidade precária e estruturas antigas sem manutenção regular.

Com 270 quilômetros de malha, cinco ramais, três extensões e 104 estações, o sistema transporta cerca de 300 mil pessoas por dia. A concessão para a SuperVia começou em 1998, mas, em 2023, a empresa comunicou oficialmente que não tinha mais condições de manter a operação, alegando sucessivos prejuízos, vandalismo e furtos constantes de cabos e equipamentos essenciais.

A transição para a próxima operadora deve ocorrer em fases. Entre janeiro e março de 2026, a SuperVia e a nova empresa dividirão a gestão; a partir de abril, o controle será totalmente assumido pela sucessora. A Secretaria de Transportes reconhece que o processo não será simples e afirma que haverá reforço policial e ações específicas contra furtos para tentar estabilizar o sistema durante o período de troca.

Procurada, a SuperVia afirma ter investido R$ 160 milhões no último ano, reduzido tempos de viagem e buscado diminuir a demanda em 10%. Já a Polícia Militar declara que mantém patrulhamento regular, intensificando operações e aumentando o efetivo em horários de maior movimento para tentar conter a criminalidade que também afeta o transporte.

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