Coluna do Enrico Pierro: Um milímetro

 Segura essa

Entre perdas, cansaços e pequenos respiros, um relato honesto sobre continuar mesmo quando a vida pesa além do que se imaginava.


Imagem ilustrativa


Eu não sei exatamente quando o ano começou a pesar. Talvez tenha sido em janeiro mesmo, quando a gente percebe que o réveillon só trocou o calendário, mas deixou os boletos — e eu perdi o meu pai. Talvez tenha sido em março, quando a vida resolveu testar meus limites como quem brinca de puxar elástico: mais um pouco e estoura. Ou pode ter sido naquele dia específico (sempre existe um) em que o corpo e o coração pedem um minuto de silêncio, mas o mundo não colabora.

O fato é: 2025 não foi um ano leve. Nem gentil. Nem paciente. Foi um ano que me pediu coisas que eu não tinha para dar. Forças que eu não sabia onde encontrar. Respostas que eu não fazia ideia de como construir.

E, mesmo assim, no automático ou no milagre, eu fui. Porque a gente sempre vai, né? Cansado, mas vai. Quebrado, mas vai. Às vezes funcionando só na força da fé e na teimosia de não desistir, porque desistir, no fim das contas, nunca foi uma opção muito viável.

Eu terminei dias segurando o mundo com a ponta dos dedos. Outros, segurando lágrimas no canto do olho. E alguns poucos, segurando risos que apareceram no meio do caos, como quem encontra uma moeda no chão e pensa: ok, talvez ainda tenha alguma coisa boa aqui.

E é nessas pequenas coisas que percebo: a vida não precisa estar funcionando para continuar. E nós também não. Às vezes basta sobreviver ao dia. Atravessar a noite. Aceitar que não é bonito, não é poético e não é instagramável, mas é real.

E talvez seja isso que eu mais levo deste ano: a noção de que a gente não precisa estar no auge, iluminado, pleno. Às vezes só precisamos estar aqui. Respirando. Tropeçando. Levantando mais uma vez, ainda que seja no improviso.

O próximo ano não vai consertar nada por mágica. Eu já fiz as pazes com isso. Mas ele pode, quem sabe, trazer algum alívio. Uma fresta. Um respiro. E, se não trouxer, eu sei que vou dar um jeito, como sempre dei.

Porque, no fim, mesmo cansado, mesmo machucado, mesmo com tudo fora do lugar… eu continuo acreditando. Na vida, em Deus, e nessa força estranha que aparece quando eu acho que acabou.

E, se tem uma coisa que eu aprendi, é que a gente nunca está tão no chão quanto pensa. Sempre existe um milímetro que dá para levantar dali. E, se eu continuo, é também por quem já não está, porque carregar a memória é outra forma de seguir vivo.

@enricopierroofc


Receba notícias de Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro no Google Notícias

Seguir SpingRV no Google Notícias
Compartilhar matéria

Últimas sobre este tema

OUTRAS NOTÍCIAS

Carregando...

Postagens mais visitadas deste blog

SÃO GONÇALO: MORADORES DO COMPLEXO DO SALGUEIRO LAMENTAM MORTE DE ANDRESSA DURANTE OPERAÇÃO POLICIAL

QUEIMADOS: DUAS MULHERES MORREM EM ACIDENTE DE MOTO NA AVENIDA IRMÃOS GUINLE

QUEIMADOS: JOVEM QUE PILOTAVA MOTO EM ACIDENTE FATAL TINHA MENOS DE 1 ANO DE HABILITAÇÃO

NITERÓI – HOMEM É PRESO NA DOUTOR MARCH, BARRETO POR POLICIAIS DO 1º BPM APÓS ASSALTAR UMA MULHER

SÃO GONÇALO: MULHER MORRE BALEADA DURANTE OPERAÇÃO NO COMPLEXO DO SALGUEIRO

SÃO GONÇALO: OPERAÇÃO POLICIAL NO COMPLEXO DO SALGUEIRO TEM TIROS E SUSPEITA DE FERIMENTO EM CHEFE DO TRÁFICO

SÃO GONÇALO – JOVEM SURDA DESAPARECIDA HÁ MESES SURGE EM VÍDEO AMARRADA E AMEAÇADA POR CRIMINOSOS

ILHA DO GOVERNADOR: MOCHILA ABANDONADA EM ÔNIBUS EXPLODE E DEIXA MOTORISTA E OUTRAS PESSOAS FERIDAS

NOVA IGUAÇU – MULHER É ENCONTRADA MORTA COM SINAIS DE TORTURA E CORPO CARBONIZADO DENTRO DE CASA

JOVEM DESAPARECIDA É LOCALIZADA APÓS MESES DE BUSCAS NO RJ