NITERÓI: OPERADORAS DIZEM QUE CRIMINOSOS JÁ CONTROLAM O ACESSO À INTERNET EM 45% DA CIDADE

OPERADORAS ATRIBUEM DIFICULDADES À AÇÃO DE GRUPOS CRIMINOSOS; MUNICÍPIO QUESTIONA METODOLOGIA DO LEVANTAMENTO

Um levantamento divulgado por operadoras de internet aponta que cerca de 45% do território de Niterói enfrenta restrições para a atuação das principais empresas de banda larga devido à ação de grupos criminosos. A Prefeitura de Niterói contestou os números e questionou a metodologia utilizada no estudo.

Foto: reprodução


Niterói entrou no centro de um debate após empresas do setor de telecomunicações afirmarem que técnicos têm deixado de realizar instalações e serviços de manutenção em diversos bairros por causa de ameaças e riscos à segurança.

Em nota, o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) afirmou que o levantamento apresentado pelas operadoras não detalha os critérios técnicos utilizados para chegar ao percentual de 45% do território afetado. O órgão também contestou a conclusão de que quase metade da cidade estaria sujeita a restrições para a prestação dos serviços.

Segundo a Prefeitura, Niterói é uma das poucas cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro onde não há domínio territorial de milícias. O município também destacou que dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam redução de até 80% em alguns índices de criminalidade nos últimos anos.

Por outro lado, as operadoras informaram que o mapa foi elaborado a partir de registros internos que identificam locais onde equipes técnicas deixaram de realizar instalações ou manutenções devido a ameaças, impedimentos ou riscos à integridade física dos funcionários.

De acordo com as empresas, esse diagnóstico vem sendo apresentado há meses em reuniões com representantes da Prefeitura e das forças de segurança, com o objetivo de buscar soluções para garantir o acesso dos técnicos às áreas afetadas.

Entre os bairros mencionados pelas operadoras estão Engenho do Mato, Maravista, Rio do Ouro, Várzea das Moças, parte de Itaipu e o Fonseca, além de trechos de Jurujuba, Charitas, Ititioca, Atalaia, Engenho do Roçado e da Alameda São Boaventura.

Embora o GGIM conteste os números apresentados, o mapa divulgado pelas empresas coincide, em grande parte, com o Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, elaborado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF) em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, que monitora a presença e a expansão de grupos criminosos em diferentes regiões do estado.

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