COMÉRCIO RESISTE À VIOLÊNCIA NA ZONA NORTE: ATACADÃO DESMENTE BOATOS SOBRE FECHAMENTO

Em meio ao êxodo de empresas na Zona Norte do Rio, rede Atacadão reafirma permanência e compromisso com a comunidade

Foto: reprodução

 Boatos sobre saída do Atacadão são desmentidos; supermercado garante que continuará operando normalmente em Vicente de Carvalho, apesar da onda de violência.


A Zona Norte do Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise de segurança que tem atingido diretamente o comércio local. Em meio ao aumento da violência e ao avanço da criminalidade, diversos estabelecimentos de grande porte vêm encerrando suas atividades, provocando um esvaziamento econômico que preocupa moradores e comerciantes da região.

Nos últimos meses, a comunidade tem assistido ao fechamento de empresas emblemáticas. O supermercado Extra, localizado na Praça do Carmo, anunciou que encerrará suas atividades na segunda quinzena de agosto. Também deixaram a região a Real Volkswagen, a concessionária Honda em frente à estação de Vicente de Carvalho e a tradicional Pizzaria Parmê — estabelecimentos que há décadas faziam parte do cotidiano dos moradores.

Diante desse cenário, surgiram rumores nas redes sociais de que o Atacadão da Avenida Vicente de Carvalho também estaria prestes a fechar as portas. Contudo, a assessoria de comunicação da rede entrou em contato com a equipe da SpingRV Notícias para desmentir a informação. Segundo o posicionamento oficial, não há qualquer plano de encerrar as operações na região, e a empresa segue firme em seu compromisso com os moradores e consumidores da Zona Norte.

Apesar da permanência do Atacadão, a insegurança continua sendo um fator decisivo para o êxodo comercial. Dados da Polícia Civil revelam que, na área da 27ª DP (Vicente de Carvalho) — que abrange os bairros Vicente de Carvalho, Irajá, Colégio, Vista Alegre, Vila da Penha e Vila Kosmos —, houve um aumento de 16% nos roubos entre janeiro e maio de 2025, totalizando 1.474 casos no período, contra 1.271 no mesmo intervalo do ano passado.

O impacto direto dessa violência pode ser observado no fechamento de comércios. Em 2024, entre janeiro e maio, nove estabelecimentos encerraram as atividades após sofrerem algum tipo de crime. Em 2025, esse número saltou para 20 fechamentos registrados, um aumento de 122% em apenas um ano.

Comerciantes locais relatam ainda o avanço do tráfico de drogas na região. Segundo denúncias, traficantes estariam cobrando taxas para permitir o funcionamento das lojas, o que, somado à insegurança generalizada, contribui para a retração dos investimentos no bairro.

A permanência de grandes redes como o Atacadão traz certo alívio e esperança à população, mas a continuidade das atividades comerciais dependerá, em grande parte, da atuação do poder público no enfrentamento à criminalidade e na recuperação do ambiente urbano.

Enquanto isso, os moradores seguem convivendo com o medo e o risco de perder o pouco que ainda resiste no comércio da Zona Norte.

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