GOVERNO DO RIO TIRA COMPLEXO CAIO MARTINS DA LISTA DE IMÓVEIS À VENDA
Decisão ocorre após forte repercussão em Niterói e pressão política contra a venda do espaço histórico
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| Foto: reprodução |
O Governo do Estado do Rio de Janeiro confirmou que o Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói, será retirado da lista de 48 imóveis públicos que poderiam ser vendidos para arrecadação de recursos. A medida foi anunciada após reportagem do jornal A Tribuna, que revelou com exclusividade a inclusão do espaço no projeto.
Segundo o governo, a exclusão será oficializada por meio de uma emenda apresentada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), construída em consenso com o legislativo. Dessa forma, o complexo deixará o chamado “listão” de imóveis a serem negociados.
A possível venda do terreno, localizado na Rua Presidente Backer e que também abriga uma unidade do programa Segurança Presente e o Colégio Estadual Manoel de Abreu, gerou forte rejeição entre autoridades locais, representantes do esporte e moradores de Niterói. O espaço é considerado um patrimônio histórico e cultural da cidade, recebendo atualmente atividades de natação, hidroginástica, dança, basquete, jiu-jitsu, yoga e capoeira.
Inaugurado em 1941, o estádio foi construído no terreno do antigo gasômetro de Niterói, atendendo ao desejo do então governador Ernani do Amaral Peixoto de levar jogos do Campeonato Carioca para a cidade. Desde então, acumulou relevância não apenas esportiva, mas também histórica. Em 1961, chegou a ser usado como fábrica de caixões após o incêndio do Gran Circus Norte-Americano. Já em 1964, no início da Ditadura Militar, o local foi convertido em prisão política, sendo o primeiro estádio da América Latina a receber tal função, com mais de 300 detidos — possivelmente até mil, segundo registros do DOPS.
O Botafogo de Futebol e Regatas também mandou suas partidas no Caio Martins entre 1981 e 2004. Apesar de há anos não receber jogos de futebol, o estádio segue como um dos símbolos mais marcantes da história esportiva e social de Niterói.
A decisão do governo estadual em manter o complexo público é vista como uma vitória para a cidade, que reafirma o valor do espaço como patrimônio cultural e esportivo.
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