MANCHETE SPINGRV
SILAS MALAFAIA É ABANDONADO POR PASTORES QUE SE NEGAM A ASSINAR MANIFESTO EM SUA DEFESA
Lideranças de importantes denominações não assinaram manifesto em defesa de Silas malafaia
| Foto: reprodução |
Edir Macedo, R.R. Soares e Valdemiro Santiago evitam se posicionar em defesa do religioso, ampliando a percepção de divisão no meio evangélico
A operação da Polícia Federal, na última quarta-feira (20), que cumpriu mandado de busca e apreensão contra o religioso Silas Malafaia, revelou mais do que as acusações que pesam sobre ele: trouxe à tona o silêncio estratégico dos principais nomes do neopentecostalismo brasileiro. Enquanto Malafaia buscava apoio por meio de mensagens em grupos de WhatsApp e divulgava um abaixo-assinado com 26 assinaturas de pastores, líderes como Edir Macedo, R.R. Soares e Valdemiro Santiago optaram por não se pronunciar.
A ausência dos três nomes, considerados pilares do movimento evangélico, evidenciou uma falta de unidade no setor. Analistas apontam que o distanciamento não se deve apenas ao receio de associar suas imagens a um processo judicial que envolve acusações graves, mas também às rivalidades históricas entre os televangelistas.
Desde os anos 1980, o chamado “G-4 dos televangelistas” — composto por Macedo, Soares, Valdemiro e, em tempos recentes, Malafaia — trava disputas por espaço midiático, influência política e fiéis. O apoio maciço dado a Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 não foi suficiente para eliminar as tensões. A ascensão de Malafaia como conselheiro próximo do ex-presidente intensificou desconfortos dentro do grupo.
Relatórios da PF divulgados na semana passada mostram Malafaia em posição de destaque nas discussões internas do bolsonarismo, chegando a enviar mensagens críticas a figuras centrais, como Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de “babaca” em conversas direcionadas ao próprio pai. O episódio reforça seu papel de conselheiro de confiança, mas também alimenta resistências dentro do meio evangélico.
Especialistas avaliam que a postura de Macedo, Soares e Valdemiro funciona como um recado claro: não pretendem fortalecer Malafaia em um momento de fragilidade judicial e política. O silêncio, nesse contexto, torna-se uma estratégia de preservação, mas também uma forma de expor as disputas veladas por protagonismo no campo religioso.
O episódio evidencia que, no meio neopentecostal, a solidariedade entre líderes muitas vezes dá lugar à defesa de territórios de poder e influência, mesmo diante de crises que atingem diretamente um de seus expoentes.
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