PAPA LEÃO XIV REJEITA APARIÇÕES DE JESUS NA FRANÇA E DECLARA FENÔMENO “NÃO SOBRENATURAL”
Pontífice reforça linha mais racional e afasta devoções populares consideradas apocalípticas
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| Foto: reprodução |
Papa Leão XIV declara que aparições de Jesus em Dozulé, na França, não são sobrenaturais e reafirma foco na fé em Cristo, afastando visões apocalípticas.
O Vaticano anunciou nesta quarta-feira (12) que as supostas aparições de Jesus Cristo em Dozulé, cidade localizada na Normandia, França, não têm origem sobrenatural. A decisão, assinada pelo papa Leão XIV, encerra décadas de polêmica em torno do caso e marca mais um passo na reinterpretação de elementos tradicionais da fé católica.
O Dicastério para a Doutrina da Fé, em carta enviada ao bispo Jacques Habert, responsável pela diocese de Bayeux-Lisieux, afirmou que o fenômeno “deve ser reconhecido, definitivamente, como não sobrenatural em sua origem, com todas as consequências que fluem dessa determinação”.
As alegadas aparições teriam ocorrido entre 1972 e 1978, quando Madeleine Aumont (1924-2016) afirmou ter visto Jesus 49 vezes, em experiências acompanhadas pelo padre Victor L’Horset. Segundo os relatos, Cristo teria pedido a construção de uma cruz gigantesca — com 738 metros de altura e 123 de largura — simbolizando a proporção da cruz da crucificação.
Mesmo sem o reconhecimento oficial, o local se tornou ponto de peregrinação e ganhou o nome de Gloriosa Cruz, inspirando orações e rituais próprios. A orientação do Vaticano, porém, é clara: práticas religiosas sem confirmação eclesial não devem ser promovidas como revelações divinas.
O cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do dicastério, afirmou que “a oração e a veneração da cruz continuam sendo meios autênticos de conversão, mas não devem ser acompanhados por elementos que induzam à confusão ou que pretendam autoridade sobrenatural sem discernimento eclesial”.
A decisão decepcionou fiéis e comerciantes locais que vivem do turismo religioso em torno das aparições. Estima-se que milhares de peregrinos ainda visitem Dozulé todos os anos, embora em número muito inferior ao de Fátima ou Lourdes, reconhecidos oficialmente pela Igreja.
A medida vem logo após outra declaração polêmica do papa Leão XIV, que na semana anterior afirmou que a Virgem Maria não é salvadora da humanidade, refutando a antiga ideia de que ela seria “corredentora” ao lado de Jesus Cristo.
Com isso, o pontífice americano eleito em maio deste ano reforça uma postura mais racional e crítica diante das devoções populares, priorizando a centralidade da fé em Cristo e combatendo visões apocalípticas e movimentos que possam se transformar em cultos paralelos à doutrina oficial.
Resumo: Papa Leão XIV declara que aparições de Jesus em Dozulé, na França, não são sobrenaturais e reafirma foco na fé em Cristo, afastando visões apocalípticas.
