ERRO ESTRATÉGICO DA RECORD? FIM DO “MOSQUITO FOFOQUEIRO” GERA CRÍTICAS
Diretoria decide aposentar nome popular do helicóptero usado em denúncias aéreas no Rio, mesmo com forte identificação do público
A decisão da Record Rio de aposentar o nome “Mosquito Fofoqueiro” reacendeu o debate sobre estratégia editorial e linguagem popular no jornalismo televisivo. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (2) pelo apresentador Tino Júnior, durante o Balanço Geral RJ, surpreendendo parte do público que já havia incorporado o apelido à rotina do noticiário.
Apesar da mudança, o helicóptero da emissora continuará em operação, sendo utilizado normalmente por telejornais como o RJ no Ar e o Cidade Alerta RJ. O que sai de cena não é a aeronave, mas a marca construída ao longo dos anos junto ao telespectador.
Segundo a emissora, a decisão partiu da diretoria e tem como justificativa o reposicionamento editorial. A avaliação interna é de que o helicóptero deve ser visto exclusivamente como ferramenta jornalística, e não associado à ideia de “fofoca”, ainda que o nome tenha sido adotado de forma irônica e carinhosa pelo público e pelo próprio apresentador.
Desde que passou a ser chamado de Mosquito Fofoqueiro, o helicóptero ganhou forte reconhecimento popular. Nas ruas do Rio, não era incomum moradores identificarem a aeronave pelo apelido ao vê-la sobrevoando bairros durante denúncias ao vivo, acompanhando acidentes, incêndios, operações policiais e situações de emergência.
Críticos da decisão avaliam que a Record pode estar abrindo mão de uma das principais pontes diretas com o público, já que o helicóptero funcionava como instrumento de denúncias em tempo real, muitas delas feitas pelos próprios telespectadores.
O modelo adotado lembra práticas consolidadas em emissoras locais dos Estados Unidos, onde o jornalismo aéreo é peça-chave na cobertura urbana. Lá, helicópteros disputam audiência mostrando do alto perseguições, acidentes, incêndios e grandes eventos, criando identidade própria sem comprometer a credibilidade jornalística.
No Rio de Janeiro, a mudança levanta uma questão central: ao tentar tornar a comunicação mais “formal”, a emissora corre o risco de enfraquecer um símbolo popular que ajudava a aproximar o jornalismo do cotidiano das ruas. O impacto real da decisão ainda será medido pela audiência.
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