MOTORISTAS DA REAL E VILA ISABEL PROTESTAM POR BENEFÍCIOS ATRASADOS NO RIO
Ato em frente às garagens cobra pagamento de férias, FGTS e rescisões; prefeitura cria linhas emergenciais para reduzir impactos
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| Foto: reprodução / BDRJ |
Motoristas das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel realizaram, na manhã desta quinta-feira (15), um protesto em frente às garagens das viações, no Rio de Janeiro, para cobrar o pagamento de benefícios trabalhistas em atraso. A mobilização afetou a operação de diversas linhas e levou a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) a adotar medidas emergenciais para atender os passageiros.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, o ato não configura greve, mas uma manifestação diante do descumprimento de obrigações legais por parte das empresas. Entre os valores pendentes estão férias, 13º salário, ticket alimentação, FGTS, INSS e verbas rescisórias.
O presidente do sindicato, Sebastião José da Silva, afirmou que a situação é grave e se arrasta há meses. Segundo ele, a viação Real não recolhe FGTS e INSS desde abril, mesmo estando em recuperação judicial. Ainda assim, trabalhadores estariam sendo demitidos sem o pagamento das indenizações previstas em lei.
Mais de 60 rodoviários já foram dispensados sem receber a rescisão, segundo o sindicato. Tentativas de mediação com as empresas e com o Ministério Público do Trabalho não tiveram avanço, o que, de acordo com a entidade, aumentou a insegurança entre os profissionais da ativa e aqueles que aguardam pagamento em casa.
O sindicato também relatou que funcionários com mais de 20, 30 e até 35 anos de serviço enfrentam dificuldades financeiras e constrangimentos familiares por falta de renda. A categoria reforça que o transporte coletivo é um serviço essencial e cobra maior responsabilidade das empresas e do poder público.
Linhas emergenciais e mudanças de itinerário
Para minimizar os impactos à população, a SMTR anunciou a criação de linhas complementares e a ampliação de itinerários em corredores afetados pelas falhas operacionais. A linha 109 teve o trajeto estendido do Santo Cristo ao Terminal Gentileza, enquanto a 157 passou a operar do Castelo ao Santo Cristo, via Central do Brasil.
Também foram implantadas as seguintes linhas emergenciais:
LECD 127 (157) – Gávea/PUC x Santo Cristo
LECD 128 – Terminal Gentileza x Leblon
LECD 129 – Terminal Alvorada x Central do Brasil
Além disso, linhas com trajetos semelhantes aos operados pela Real e Vila Isabel estão circulando com reforço de frota.
Em nota, o Rio Ônibus informou que a Real Auto Ônibus mantém diálogo com o Sindicato dos Rodoviários para tentar resolver os impasses. Já a Prefeitura do Rio afirmou que vem cumprindo regularmente o pagamento dos subsídios aos consórcios e que monitora a operação via GPS, aplicando cortes no repasse quando as linhas não cumprem a quilometragem contratada.
Crise recorrente no setor
As dificuldades enfrentadas pelas empresas não são recentes. Na última segunda-feira (12), houve redução da frota por falta de combustível, situação que já havia ocorrido semanas antes. Em dezembro, funcionários das viações Real e Vila Isabel chegaram a entrar em greve por dois dias devido aos atrasos salariais.
Além dessas empresas, a Paranapuan também figura entre as viações com histórico recente de problemas financeiros e operacionais, ampliando a instabilidade do transporte público na capital fluminense.
