NITERÓI: EX-FUNCIONÁRIO DA PREFEITURA FOI EXONERADO APÓS DENÚNCIA DE EXTORSÃO CONTRA TRAVESTIS E GAROTAS DE PROGRAMA NO CENTRO

Caso ocorreu no Centro da cidade e está sob investigação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância

Foto: SpingRV Notícias

Servidor municipal é acusado de cobrar “taxa” para permitir prostituição em rua do Centro de Niterói; vítimas relatam ameaças e agressões.

Um ex-funcionário da Prefeitura de Niterói foi exonerado após denúncias de que estaria cobrando dinheiro de mulheres trans e travestis para permitir que elas se prostituíssem em uma rua do Centro da cidade. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Segundo os relatos das vítimas, o esquema funcionava há cerca de dois anos. O homem se apresentava como “dono da rua” e exigia o pagamento semanal de R$ 120 para autorizar a permanência no local. Quem não conseguia pagar era ameaçada, coagida e, em alguns casos, agredida ou expulsa do ponto.

Ainda de acordo com os depoimentos, o suspeito não aparecia apenas nos dias de cobrança. Ele costumava retornar ao local para vigiar quem estava trabalhando, reforçando o controle sobre a área. Áudios entregues à polícia indicariam ameaças diretas, com ordens para que o valor fosse pago “de qualquer jeito” e avisos de que, sem pagamento, a pessoa não deveria voltar ao ponto.

O registro da ocorrência foi feito no dia 21 de janeiro, e o servidor foi exonerado dois dias depois, em 23 de janeiro, por decisão administrativa. A Prefeitura de Niterói informou que o homem ocupava o cargo de encarregado na Administração Regional da Ponta da Areia, função para a qual havia sido nomeado em fevereiro de 2025.

A Polícia Civil apura o caso com base no artigo 230 do Código Penal, que tipifica como crime o ato de explorar a prostituição alheia, com pena de 1 a 4 anos de prisão, além de multa. Caso fique comprovado o uso de violência ou grave ameaça, a pena pode chegar a 8 anos de reclusão.

A investigação segue em andamento e novas vítimas podem ser ouvidas. O caso levanta novamente o debate sobre violência, extorsão e vulnerabilidade social enfrentadas por pessoas trans e travestis em áreas centrais de Niterói.

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