POR QUE O PREFEITO CAPITÃO NELSON ENTRARÁ PARA A HISTÓRIA DE SÃO GONÇALO?
GESTÃO REELEITA COM MAIS DE 80% DOS VOTOS ACUMULA OBRAS, POLÊMICAS E QUESTIONAMENTOS NA EDUCAÇÃO, SAÚDE E TRANSPORTE DA CIDADE
Reeleito com votação histórica, prefeito de São Gonçalo enfrenta críticas sobre educação, saúde e transporte, enquanto investe em obras e lazer na cidade.
Por que o prefeito Capitão Nelson entrará para a história de São Gonçalo?
Em 2024, o prefeito Capitão Nelson foi eleito com mais de 80% dos votos em São Gonçalo, um número esmagador sobre seus adversários, que mostrou que a população estava satisfeita com a gestão do prefeito.
Em seu primeiro mandato, muitas ruas da cidade foram asfaltadas, inclusive em locais remotos, onde moradores não tinham esperança de ver chegar obras de urbanização e infraestrutura.
Não há sombra de dúvidas de que a cidade passou por inúmeras obras, até pelo fato de a prefeitura conseguir respirar com o dinheiro que entrou com a venda da CEDAE.
A oposição, no entanto, diz que o povo de São Gonçalo foi enganado com obras de maquiagem, feitas exatamente para maquiar a percepção da população de que a prefeitura estava fazendo o melhor. Segundo críticos da gestão, dentro de hospitais e escolas o cenário seria diferente, e o que se via não era uma administração exemplar, mas sim um verdadeiro desastre.
Logo no início do segundo mandato, a administração de Nelson em São Gonçalo enfrentou greves na educação. Profissionais da área reclamavam de falta de pagamento e de sucateamento na educação pública.
De fato, a prefeitura precisa provar que os recursos federais repassados ao município foram realmente utilizados dentro das escolas públicas da cidade, pois há questionamentos a esse respeito. Tanto que o TCE deu 30 dias para que o prefeito de São Gonçalo comprove que o dinheiro utilizado em outras áreas do município foi recolocado na educação.
Outra área onde há muitos questionamentos sobre a administração do prefeito Nelson é a saúde, onde também houve greves e reclamações de falta de pagamento e escassez de recursos. Um dos locais onde surgiram queixas foi o Pronto-Socorro de São Gonçalo.
Além disso, houve o escândalo conhecido como “Máfia dos Cemitérios” no governo do Capitão Nelson, algo jamais visto antes na cidade, quando diversas famílias denunciaram o desaparecimento de cadáveres em São Gonçalo. A grande maioria dos casos teria ocorrido no Cemitério São Miguel.
Essa situação até hoje não foi totalmente resolvida, e familiares ainda aguardam respostas sobre o paradeiro dos restos mortais de parentes que desapareceram dos cemitérios da cidade.
Por fim, a população também reclama do aumento do valor das passagens de ônibus municipais de São Gonçalo, que segundo moradores não é compatível com o serviço oferecido.
Moradores reclamam da demora dos ônibus em vários bairros, do sucateamento dos veículos e de uma frota que muitas vezes circula sem ar-condicionado.
O prefeito de São Gonçalo também não conseguiu retirar as barricadas em áreas dominadas pelo crime, como havia prometido antes de se eleger em seu primeiro mandato. No entanto, essa responsabilidade não é direta da prefeitura, mas sim do governo do estado, chefiado pelo governador Cláudio Castro, aliado político de Nelson.
Mas não sejamos levianos. Há algo que o prefeito de São Gonçalo está fazendo que muitos políticos que vieram antes dele não tiveram coragem de fazer: investir no turismo e no lazer da cidade.
A população de São Gonçalo nunca teve um espaço de lazer que realmente chamasse atenção. Durante décadas, praticamente não houve investimentos consistentes em turismo ou áreas de convivência pública na cidade.
Agora, porém, é inegável que as obras da Praia das Pedrinhas e do Parque Nosso Sonho representam um dos maiores marcos do turismo e do lazer em São Gonçalo em toda a história da cidade.
Pelo menos nesse ponto, São Gonçalo passa a ter algo do que se orgulhar. A população agora conta com um local para passear, descansar e aproveitar momentos de lazer.
Ainda assim, a população de São Gonçalo precisa refletir profundamente sobre os critérios usados nas urnas na hora de votar: se o voto está sendo baseado nas melhorias percebidas na administração, nas propostas apresentadas pelos candidatos ou se parte do eleitorado está sendo conduzida por disputas políticas, discursos de ódio ou interesses de grupos.
Matéria: William C. Simas.