ALERJ, RIO DE JANEIRO: DOUGLAS RUAS É ELEITO PRESIDENTE EM MEIO A BOICOTE E DISPUTA JUDICIAL EM UMA ELEIÇÃO DUVIDOSA

DISPUTA SEM ADVERSÁRIO TERMINA COM POSSE CONTESTADA E PROMESSA DE AÇÃO NO STF

Eleição ocorreu sem concorrentes após retirada da oposição e ausência de 27 deputados; processo segue sob questionamentos na Justiça.

Douglas Ruas — Foto: Thiago Lontra/Alerj

Em uma eleição marcada por controvérsias políticas e disputas judiciais, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito e empossado, na manhã desta sexta-feira (17), como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Na mesma sessão, o deputado Dr. Deodalto também foi escolhido como segundo secretário da Casa.

A votação ocorreu sem concorrência direta após a retirada da candidatura do deputado Vitor Junior (PDT), que era apoiado por um bloco político ligado ao ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Com isso, Ruas, aliado do ex-governador Cláudio Castro (PL), acabou sendo eleito sem disputa.

Apesar da posse, o processo eleitoral foi novamente alvo de contestação. Partidos de oposição decidiram não participar da votação e anunciaram que pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, 27 deputados de siglas como PT, PSB, PSD, PC do B, MDB, PDT e PSOL se ausentaram do plenário.

A eleição anterior, realizada em 26 de março, já havia sido anulada pela Justiça, o que intensificou a crise política em torno do comando da Alerj. Além disso, uma decisão liminar do STF mantém, de forma temporária, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto, à frente do governo estadual, enquanto não há definição sobre o chamado mandato-tampão.

Nos bastidores, o principal ponto de tensão gira em torno do modelo de votação. A oposição critica o voto aberto, classificando o processo como um cenário de “cartas marcadas”, argumentando que a exposição pública pode gerar pressão sobre parlamentares.

Em nota, a frente partidária afirmou que não iria legitimar o que considera um “processo eleitoral de fachada”, optando por se retirar do plenário caso o formato fosse mantido.

A deputada Martha Rocha (PDT) defendeu o voto secreto, alegando que o modelo garantiria maior liberdade aos parlamentares para votar sem sofrer intimidações.

Já Douglas Ruas sustentou a legalidade e a transparência do voto aberto, afirmando que a população tem o direito de saber como cada deputado se posiciona. Segundo ele, a transparência deve prevalecer em todos os poderes.

O cenário na Alerj segue indefinido, com a eleição ainda sob risco de novos desdobramentos judiciais e políticos nos próximos dias.

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