NITERÓI: PASSAGEIROS DENUNCIAM DESVANTAGEM PARA QUEM PAGA EM DINHEIRO EM LINHAS DA TRANSNIT
USUÁRIOS RELATAM QUE PRIORIDADE PARA CARTÃO GARANTE ASSENTO ENQUANTO OUTROS VIAJAM EM PÉ
Mesmo pagando mais caro, passageiros em dinheiro podem perder lugar para sentar após embarque priorizado de usuários com cartão nas linhas 67 e 41.
Passageiros de ônibus em Niterói estão denunciando uma prática recorrente em linhas operadas pelo Consórcio Transnit, que estaria colocando em desvantagem quem paga a passagem em dinheiro.
De acordo com relatos, nas linhas 67 (Cova da Onça x Centro) e 41, usuários que utilizam cartão — com tarifa subsidiada pela prefeitura no valor de R$ 4,45 — entram primeiro nos coletivos, enquanto quem paga em dinheiro, desembolsando R$ 5,60, acaba ficando para trás no embarque.
A situação ocorre principalmente no intervalo entre a chegada do ônibus ao ponto e a partida, momento em que o motorista ainda não retomou completamente a operação. Nesse período, passageiros com cartão conseguem acessar o coletivo com mais rapidez, ocupando os assentos disponíveis antes dos demais.
Com isso, quem paga em dinheiro, além de arcar com um valor mais alto, frequentemente perde a oportunidade de escolher um lugar para sentar e, em muitos casos, precisa seguir viagem em pé.
Embora essa prática não ocorra em todas as viagens, usuários afirmam que ela se repete com frequência suficiente para gerar insatisfação e sensação de injustiça.
A conduta levanta questionamentos com base no Código de Defesa do Consumidor, que proíbe práticas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada (artigo 39). Para especialistas, ainda que a organização do embarque seja permitida, ela não pode resultar em prejuízo sistemático para parte dos passageiros — especialmente quando essa parcela paga mais caro pela mesma prestação de serviço.
A crítica recai diretamente sobre a empresa responsável pela operação, que, ao adotar um modelo que privilegia um grupo de usuários, acaba criando uma espécie de hierarquia dentro do transporte público, penalizando justamente quem paga a tarifa cheia.
Até o momento, não há posicionamento oficial do Consórcio Transnit sobre as denúncias. Já a fiscalização do sistema municipal cabe à Prefeitura de Niterói, por meio dos órgãos de transporte da cidade.
Enquanto isso, passageiros seguem enfrentando uma realidade que, na prática, transforma o valor pago na passagem em um fator de desigualdade dentro do próprio ônibus.
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