AFUNDADA EM CRISE FINANCEIRA DESDE 2023, CASAS BAHIA FECHA QUASE 300 LOJAS

 REDE VAREJISTA ENCERROU 298 UNIDADES EM APENAS DOIS DIAS E CORTOU CERCA DE 1,9 MIL POSTOS DE TRABALHO; MEDIDA OCORRE EM MEIO A NOVA FASE DE REESTRUTURAÇÃO

A Casas Bahia fechou 298 lojas em todo o Brasil e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários em meio a uma nova ofensiva para reduzir despesas e tentar recuperar a saúde financeira da companhia.

Foto: reprodução


A crise que atinge a Casas Bahia ganhou uma nova dimensão nesta semana. Entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), a tradicional rede varejista encerrou as atividades de 298 lojas, número equivalente a aproximadamente 28,7% de toda a sua rede física. A medida foi acompanhada pelo desligamento de cerca de 1,9 mil funcionários.

O fechamento em massa ocorre pouco mais de dois anos depois de a companhia iniciar um amplo processo de transformação de sua estrutura. A crise financeira levou a empresa a buscar alternativas para alongar e renegociar suas dívidas.

Em abril de 2024, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. O acordo permitiu alongar os prazos de pagamento e reduzir o custo médio dos débitos.

PREJUÍZO BILIONÁRIO

Apesar dos esforços para reorganizar as finanças, os problemas não desapareceram.

No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 1,064 bilhão. O resultado reforçou a pressão para que a companhia reduza despesas e torne sua operação mais eficiente.

A situação chama atenção porque a empresa havia conseguido, no fim de 2025, avançar em uma nova reestruturação de capital. A companhia informou uma redução de aproximadamente R$ 3 bilhões no endividamento e estimou uma economia de cerca de R$ 4,7 bilhões em despesas financeiras e amortização de principal entre 2026 e 2030.

Ou seja, a Casas Bahia conseguiu aliviar parte do peso da dívida, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar sua operação em um negócio consistentemente lucrativo.

MENOS LOJAS, MENOS CUSTOS

O fechamento das 298 unidades faz parte justamente dessa tentativa de reduzir o tamanho da operação.

Manter centenas de lojas envolve gastos com aluguel, funcionários, energia, manutenção, estoque e logística. Em um cenário de vendas cada vez mais distribuídas entre lojas físicas e canais digitais, unidades com baixo desempenho podem representar um peso significativo para o caixa.

A estratégia da companhia passou a priorizar uma operação mais enxuta, combinando lojas físicas, comércio eletrônico e outras frentes de vendas.

A redução, porém, é expressiva. O encerramento de 298 unidades representa quase três em cada dez lojas da rede.

DEMISSÕES GERAM REAÇÃO

O corte também provocou reação de entidades sindicais.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou que pretende ingressar com uma ação coletiva contra a empresa. A entidade questiona a forma como as demissões foram realizadas e afirma que funcionários teriam encontrado lojas fechadas ao chegarem para trabalhar.

A discussão pode aumentar a pressão sobre a empresa justamente no momento em que a Casas Bahia tenta reduzir custos e reorganizar sua operação.

A CASAS BAHIA ESTÁ ACABANDO?

Apesar do tamanho da redução, o fechamento das lojas não significa necessariamente que a Casas Bahia esteja encerrando suas atividades.

A empresa está tentando fazer o movimento contrário: diminuir sua estrutura física para reduzir despesas e concentrar investimentos em operações consideradas mais rentáveis.

O problema é que a companhia precisa provar que essa estratégia será suficiente para interromper a sequência de resultados negativos.

A Casas Bahia conseguiu reduzir parte importante de sua dívida, mas continua enfrentando prejuízos. Agora, o fechamento de quase 300 lojas representa uma das medidas mais radicais dessa tentativa de recuperação.

De uma das maiores redes varejistas do país, a Casas Bahia entra em uma nova fase: uma empresa fisicamente menor, com menos funcionários e menos lojas, mas pressionada pela necessidade de voltar a gerar resultados positivos.

A grande questão agora é saber se a redução da estrutura será suficiente para colocar a gigante do varejo novamente no caminho do lucro.

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