COMPLEXO DE ISRAEL: PM ENCONTRA CARROS-BOMBA E EXPLOSIVOS E PROMETE OCUPAR A ÁREA DOMINADA POR PEIXÃO
OPERAÇÃO REVELA UMA NOVA ESCALADA DA VIOLÊNCIA NO TERRITÓRIO DO TCP: POLÍCIA ENCONTROU VEÍCULOS PREPARADOS PARA DETONAÇÃO E BARRICADAS COM EXPLOSIVOS
RIO DE JANEIRO — O Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, amanheceu nesta sexta-feira (21) sob intenso confronto entre policiais militares e criminosos. A operação, que mobilizou cerca de 200 agentes, revelou uma estrutura de resistência que chamou a atenção das forças de segurança: carros preparados para funcionar como bombas e barricadas equipadas com explosivos que poderiam ser detonados à distância.
A ação aconteceu nas comunidades Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, áreas apontadas como controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa comandada na região pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. O criminoso é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do TCP no Rio de Janeiro e segue foragido.
CARROS-BOMBA FORAM PREPARADOS PARA ATACAR POLICIAIS
Durante o avanço das equipes, policiais localizaram barricadas com artefatos explosivos e veículos que, segundo a corporação, estavam preparados para serem detonados com a aproximação das forças de segurança.
Os materiais foram isolados e retirados seguindo protocolos de segurança. A Polícia Militar acionou equipes especializadas, incluindo o Batalhão de Ações com Cães, para auxiliar na busca por possíveis novos artefatos.
A descoberta é considerada especialmente grave porque, segundo a PM, representa uma escalada no nível de armamento e preparação utilizado por criminosos para impedir o avanço policial. A Folha informou que a corporação considera este o primeiro registro de utilização de um carro-bomba por traficantes no Rio de Janeiro.
TIROTEIO FECHOU A AVENIDA BRASIL
A chegada dos policiais provocou intenso confronto. Por causa dos tiros, a Avenida Brasil precisou ser interditada em determinados trechos, enquanto a Rodovia Washington Luís também foi afetada.
Motoristas chegaram a abandonar veículos e houve registros de circulação na contramão durante o bloqueio.
A operação contou com cinco veículos blindados, motocicletas, viaturas e apoio aéreo. Participaram da ação equipes do BOPE, Batalhão de Ações com Cães, Batalhão de Choque, Grupamento Aeromóvel, BPVE e RECOM.
MOTORISTA DE ÔNIBUS É ATINGIDO
A violência também atingiu quem estava fora da comunidade.
O motorista de ônibus Douglas Santos de Souza foi baleado no ombro quando seguia para o trabalho. Ele foi socorrido por um colega e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde permanecia em estado estável.
Um homem também morreu durante confronto com os policiais. Segundo as informações divulgadas até o momento, um fuzil e uma pistola foram apreendidos.
ESCOLAS E UNIDADES DE SAÚDE FORAM AFETADAS
A operação também provocou mudanças na rotina dos moradores.
Ao menos 16 escolas tiveram as aulas suspensas em áreas atingidas pela ação. Duas unidades de saúde interromperam o atendimento, enquanto outras mantiveram o funcionamento, mas suspenderam atividades externas.
O sistema de BRT também foi afetado temporariamente, com suspensão das linhas 60 e 70 durante o período de maior tensão.
PM JÁ HAVIA PROMETIDO FICAR NO COMPLEXO
A operação desta sexta-feira ganha ainda mais importância quando lembrada a estratégia adotada pela Polícia Militar em ações anteriores contra o TCP na região.
Em uma ocupação realizada anteriormente no Complexo de Israel, a própria PM informou que havia ocupado as cinco comunidades que formam a região e que não existia previsão para a retirada dos policiais. A medida tinha como um dos principais objetivos localizar o traficante Peixão, apontado como chefe do tráfico no território.
A permanência policial representa uma mudança em relação às operações tradicionais, nas quais os agentes entram nas comunidades, realizam buscas e deixam o território posteriormente.
Agora, diante da descoberta de veículos preparados para detonação, barricadas com explosivos e da crescente disputa territorial entre facções, a presença permanente das forças de segurança volta ao centro das discussões.
PEIXÃO CONTINUA COMO PRINCIPAL ALVO
Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, é apontado como o principal líder do TCP no Complexo de Israel. O território reúne comunidades como Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas e se tornou uma das áreas mais estratégicas da disputa entre o TCP e o Comando Vermelho.
Nos últimos meses, a região passou a registrar sucessivos confrontos relacionados à disputa territorial entre as duas facções. Em julho, por exemplo, confrontos envolvendo áreas próximas ao Complexo de Israel mobilizaram forças de segurança e aumentaram a tensão na Zona Norte.
A operação desta sexta-feira mostra que o enfrentamento deixou de envolver apenas armas convencionais. A localização de veículos preparados para explosão coloca o Complexo de Israel diante de uma nova e perigosa realidade: criminosos passaram a preparar armadilhas explosivas para tentar impedir a entrada das forças de segurança.
Até o momento, não há informação de que Peixão tenha sido localizado ou preso.
A expectativa agora é saber se a operação desta sexta-feira será apenas mais uma incursão policial ou se marcará o início de uma ocupação prolongada do território, com a PM mantendo presença permanente nas comunidades.
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