COLUNA CONVERSA FIADA COM CARLOS SANTOS - Um vice para chamar de seu...
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Um vice para chamar de seu...
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João Batista Figueiredo, último presidente do regime militar, teve como seu vice Aureliano Chaves, do PDS. Há quem diga que eram amigos, mas, por divergências de opinião, se distanciaram nos últimos anos de governo. Tanto é que, candidato do PDS e com apoio de Figueiredo, foi Paulo Maluf, que venceu Mário Andreazza na convenção do partido.
Maluf foi derrotado nas eleições indiretas por Tancredo Neves, que tinha como vice José Sarney.
Com a morte de Tancredo, antes mesmo de assumir, José Sarney tornou-se presidente.
Em 1989, Fernando Collor ganha as eleições, tendo Itamar Franco como seu vice. Dois anos depois, Collor sofre o impeachment e Itamar Franco assume a presidência.
O governo Itamar Franco, tecnicamente, foi um governo muito bom. Tivemos a quebra das patentes dos remédios, a criação do Plano Real, a revitalização de indústrias, inclusive a automobilística, com a volta do Fusca, e, principalmente, a queda da inflação.
Itamar Franco, vice de Collor, fez um governo de coalizão, unindo as principais lideranças políticas. Seu governo terminou com alto índice de popularidade, elegendo seu sucessor, o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.
Eleito Fernando Henrique Cardoso, tinha como seu vice Marco Maciel, do PFL.
Político experiente, conhecido por sua elegância no tratamento pessoal, foi um vice discreto e fiel à política do governo FHC nos seus oito anos de mandato, principalmente apoiando pautas polêmicas, como as privatizações e a reeleição.
Após o governo de FHC, Lula finalmente chega ao poder, tendo seu vice José de Alencar, homem ligado ao empresariado.
José de Alencar, como vice, ajudou a dar estabilidade nas negociações de bastidores e sempre foi crítico às altas taxas de juros.
Já no governo Dilma Rousseff, Michel Temer sempre foi um vice distante da presidente. Temer, com sua forte influência e histórico de um dos pais da Constituição, teve forte participação na articulação da queda de Dilma no processo de impeachment.
Como presidente, Temer, até os dias de hoje, foi um dos presidentes mais impopulares da história.
O governo Bolsonaro trouxe uma chapa curiosa: um capitão, Bolsonaro, presidente, e um general, Hamilton Mourão, como vice-presidente.
Mourão e Bolsonaro nunca foram próximos e, publicamente, Bolsonaro chegou a dizer que seu vice-presidente, em muitas vezes, atrapalhava o governo.
Hamilton Mourão terminou o governo Bolsonaro isolado das principais decisões do governo.
Com a volta de Lula ao poder, volta ao cenário seu antigo adversário, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo.
Alckmin, como vice-presidente, foi muito ativo no governo, acumulando a pasta de ministro da Indústria e Comércio. Alckmin foi importante coordenando a força-tarefa nas negociações com os Estados Unidos após o Brasil sofrer sanções do governo americano.
E agora, quem será o novo vice-presidente do Brasil? E qual será a sua participação diante dessa polarização nacional, onde, independente de quem vai ganhar, a polarização vai continuar?
No Brasil, temos no cargo de vice-presidente uma posição estratégica numa política velha, arcaica e cercada de interesses pessoais e partidários. Quem será o próximo vice-presidente? No decorrer do governo, pode ser presidente!
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Carlos Santos
Comentarista político exclusivo da SpingRV
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