NITERÓI: OBRAS CONTRA ALAGAMENTOS MARCAM O FIM DO ESTÁDIO CAIO MARTINS E DE UM CAPÍTULO DA HISTÓRIA DO BOTAFOGO
Reservatório subterrâneo dará lugar ao antigo campo do estádio, palco de grandes partidas do Botafogo e de conquistas históricas do clube alvinegro.
Niterói deu início, nesta sexta-feira (23), às obras de macrodrenagem do Rio Icaraí e à construção de um reservatório subterrâneo no terreno do Estádio Caio Martins, em Icaraí. A intervenção pretende combater os alagamentos históricos que atingem a região, mas também representa o fim de um capítulo importante da história esportiva da cidade e do Botafogo.
A ordem de início dos trabalhos foi assinada pela Prefeitura de Niterói, em cerimônia realizada no campo do Caio Martins, com a presença do prefeito Rodrigo Neves e de outras autoridades. Durante o evento, começou também a demolição de parte da estrutura do estádio, que dará lugar ao projeto de infraestrutura.
O projeto prevê um reservatório subterrâneo com capacidade para armazenar cerca de 80 milhões de litros de água da chuva. A obra integra um sistema de macrodrenagem com aproximadamente seis quilômetros de novas redes e galerias, além de três bombas para controlar o escoamento da água para o Rio Icaraí.
O investimento anunciado é superior a R$ 380 milhões, com prazo estimado de conclusão de 36 meses. A expectativa é ampliar a capacidade de drenagem e reduzir os alagamentos que há décadas afetam Icaraí, Santa Rosa e áreas próximas, incluindo o entorno da Avenida Roberto Silveira e do Largo do Marrão.
O FIM DE UM ESTÁDIO QUE MARCOU A HISTÓRIA DO BOTAFOGO
A transformação do Caio Martins vai muito além de uma obra de engenharia. Para os torcedores do Botafogo e para gerações de moradores de Niterói, o estádio representa lembranças de grandes jogos, tardes de futebol e momentos marcantes do clube alvinegro.
O Caio Martins foi uma das casas do Botafogo durante períodos importantes de sua trajetória. Nos anos 1990, o estádio esteve ligado a uma fase de conquistas do clube, que venceu a Copa Conmebol de 1993 e o Campeonato Brasileiro de 1995 enquanto mandava partidas no campo niteroiense.
O estádio também recebeu jogos e atividades de diferentes equipes e categorias do futebol, tornando-se parte da memória esportiva da cidade. Para muitos botafoguenses, o nome Caio Martins está associado a uma época em que Niterói ocupava um lugar especial na rotina do clube.
A relação entre o Botafogo e o estádio se encerrou gradualmente. O último jogo oficial da equipe principal alvinegra no local ocorreu em 2004, e o clube deixou de utilizar o complexo como sua casa esportiva nos anos seguintes. O vínculo de concessão terminou em janeiro de 2023, após décadas de ligação entre o clube e o espaço.
Com o início das obras e a demolição de estruturas, o antigo campo caminha para uma transformação definitiva. O estádio que recebeu partidas históricas não voltará a existir na configuração que marcou a memória dos torcedores.
DO GRAMADO AO RESERVATÓRIO E AO PARQUE PÚBLICO
A área de aproximadamente 25 mil metros quadrados correspondente ao campo, às arquibancadas e aos vestiários foi cedida pelo Governo do Estado à Prefeitura de Niterói. O espaço será utilizado para a construção do reservatório e, posteriormente, para a implantação de um parque urbano.
O projeto prevê áreas de lazer, espaços esportivos, quadras e locais de convivência para a população. O ginásio e o parque aquático do complexo esportivo permanecem sob gestão estadual.
A mudança de finalidade do terreno ocorre em meio a uma demanda antiga dos moradores: enfrentar os alagamentos que atingem a região em períodos de chuva intensa. A Prefeitura afirma que o sistema ampliará significativamente a capacidade de escoamento da água.
UM NOVO FUTURO, UMA HISTÓRIA QUE NÃO SE APAGA
A obra representa uma mudança importante para Niterói. Se o reservatório e o novo sistema de drenagem cumprirem o objetivo anunciado, poderão trazer benefícios para moradores que convivem há décadas com ruas alagadas e transtornos provocados pelas chuvas.
Mas a solução para um problema histórico também encerra uma parte da história esportiva da cidade. O Caio Martins deixa de ser um estádio de futebol para dar lugar a uma estrutura voltada à drenagem, ao lazer e à convivência pública.
O campo poderá desaparecer sob o novo projeto, mas as partidas, os títulos e as lembranças construídas ali continuarão fazendo parte da história do Botafogo e de Niterói.
Receba notícias de Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro no Google Notícias
Seguir SpingRV no Google Notícias
