SISTEMA DE SAÚDE EM COLAPSO: FUNCIONÁRIOS DA UPA DE SANTA LUZIA E DO PRONTO SOCORRO CENTRAL DENUNCIAM ATRASOS SALARIAIS E AMEAÇAS

Trabalhadores da saúde em São Gonçalo enfrentam meses de salários atrasados, dissídios não pagos e clima de medo dentro das unidades

Foto: reprodução


Profissionais da saúde em São Gonçalo vivem um cenário de abandono e revolta. Funcionários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Luzia e do Hospital Municipal Armando Sá Couto, conhecido como Pronto Socorro Central da Zé Garoto, denunciaram graves atrasos nos pagamentos salariais, ausência de repasses do dissídio e descaso com os complementos dos vencimentos. A crise, que se arrasta desde o fim de 2024, afeta diretamente a vida de dezenas de servidores e levanta sérios questionamentos sobre a gestão da saúde pública no município.

Na UPA de Santa Luzia, a administração feita por uma Organização Social (O.S.) — modelo frequentemente criticado pela falta de transparência — tem gerado insegurança entre os profissionais. Muitos temem represálias ao cobrarem explicações do setor de Recursos Humanos, que evita fornecer informações concretas sobre a regularização dos pagamentos. Os relatos dão conta de um ambiente de tristeza, insegurança e desmotivação, agravado pelo silêncio da Prefeitura de São Gonçalo, que se recusa a comentar o caso mesmo após seguidas tentativas de contato.

Situação semelhante é enfrentada pelos trabalhadores do Pronto Socorro Central. Lá, enfermeiros e técnicos de enfermagem denunciam a ausência de pagamentos desde fevereiro e acusam a administração hospitalar de omissão e intimidação. A justificativa recorrente da gestão seria a falta de repasses do município, mas os próprios servidores desmentem essa narrativa, apontando a existência de uma política de silêncio e represália contra quem ousa questionar.

Depoimentos colhidos pela reportagem revelam que os valores, quando pagos, chegam incompletos, sem explicações e com horas extras desconsideradas ou parceladas. Uma funcionária, que pediu anonimato, desabafou: “A enfermagem está exausta diante de tamanha falta de respeito e humilhação por parte da gestão do hospital e do município”.

A indignação cresce diante das revelações de que a estrutura da saúde municipal abriga mais de 10 mil cargos comissionados, muitos deles suspeitos de serem usados como cabides políticos. Enquanto isso, os profissionais que realmente mantêm o sistema funcionando seguem sendo ignorados, desvalorizados e sobrecarregados.

A crise financeira enfrentada pelos servidores da saúde de São Gonçalo é mais do que um problema de gestão: é uma denúncia pública de negligência institucional e de um modelo de administração que privilegia apadrinhamentos em detrimento da dignidade de quem salva vidas.

A população gonçalense e os profissionais da saúde seguem sem respostas, enquanto a Prefeitura permanece em silêncio. Até quando os responsáveis pelo sistema de saúde municipal continuarão fechando os olhos diante desse colapso?

Com informações de: SG Infoco

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