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DO CONCRETO À EXPRESSÃO: PARKOUR EM SÃO GONÇALO GANHA REGISTRO AUDIOVISUAL

Praça Chico Mendes se transforma em palco de superação, criatividade e cultura urbana


 Um minidocumentário registra a prática do parkour em São Gonçalo, revelando histórias de superação e o impacto cultural da modalidade na cidade.

 A obra foi contemplada pelo edital cultural da Lei Paulo Gustavo, sob a gestão da Secretaria de Turismo e Cultura da Prefeitura de São Gonçalo.

O barulho dos passos acelerados, o estalo das mãos tocando o concreto e a cadência precisa dos saltos transformam a Praça Chico Mendes, em Alcântara, em um cenário de arte em movimento. Ali, jovens e adultos de São Gonçalo não apenas praticam parkour — eles reinterpretam a cidade, cada muro, escada e banco, convertendo obstáculos cotidianos em desafios criativos e formas de expressão pessoal.

A cidade do Rio de Janeiro se tornou a primeira do estado a abrigar um Parkour Parque, uma iniciativa que deu visibilidade e legitimidade à prática local. Entre os praticantes, Beatriz Barreto, cientista ambiental e entusiasta do esporte, resume a essência da atividade: “Cada obstáculo deixa de ser apenas concreto; é uma chance de experimentar, aprender e superar. É uma forma de nos conectarmos com a cidade e uns com os outros.”

Foto: divulgação 

O professor João Marcos explica que o parkour tem origem nos subúrbios franceses, derivado do Parcours du combattant, treino militar voltado à superação de obstáculos físicos. “É um esporte que combina técnica, criatividade e eficiência, exigindo do corpo movimento contínuo e fluido”, afirma. Em São Gonçalo, há mais de 20 anos, o parkour encontrou espaço nas ruas e nas redes sociais. Inicialmente, os jovens aprendiam vendo vídeos no YouTube, compartilhando experiências pelo Orkut, reproduzindo movimentos e descobrindo limites coletivos.

Foto: divulgação

Jonas Fernandes, professor de Educação Física e pioneiro da modalidade na cidade, relembra os primeiros encontros: “Começamos com obstáculos improvisados e pequenos grupos de amigos. Aos poucos, aquilo virou uma rede de apoio, troca de experiências e aprendizado contínuo.” Para ele, a prática do parkour não se restringe ao físico: é uma disciplina que reforça valores como perseverança, respeito e colaboração.

O minidocumentário “Parkour: a arte na Rua”, produzido com um celular e contemplado pelo edital cultural da Lei Paulo Gustavo, registra essas trajetórias. Depoimentos de Beatriz, Jonas e outros praticantes revelam como o esporte mudou suas vidas, estimulou a construção de comunidade e transformou a forma de enxergar São Gonçalo. Na Praça Chico Mendes, cada salto, escalada e manobra é capturado, mostrando habilidade e dedicação. Publicado nas redes sociais, o vídeo aproximou o público da prática e despertou interesse de novos adeptos.

Foto: divulgação

Mais do que registrar movimentos, o projeto evidencia o parkour como ferramenta de inclusão social e valorização cultural. Cada obstáculo vencido simboliza superação individual e coletiva. A prática urbana, antes marginal, se consolida como movimento que inspira, une e transforma. Hoje, São Gonçalo se projeta como referência em esportes de rua e cultura urbana, provando que, assim como os praticantes, a cidade encontra caminhos mesmo diante das maiores barreiras.



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