ALCÂNTARA, SÃO GONÇALO: ESTUDANTE BIANCA MARTINS É SEPULTADA APÓS MORTE QUE LEVANTA SUSPEITA DE NEGLIGÊNCIA MÉDICA
FAMÍLIA PEDE JUSTIÇA APÓS SUPOSTAS FALHAS NO ATENDIMENTO NA MATERNIDADE MÁRIO NIAJAR
Velório e sepultamento da jovem ocorreram nesta terça-feira (7) sob forte comoção. Estudante deixa três filhos, incluindo um recém-nascido.
Foi sepultado nesta terça-feira, 7 de abril, o corpo da estudante Bianca da Silva Martins. Familiares e amigos se reuniram para a despedida da jovem, que morreu após uma sequência de episódios que levantam suspeitas de falhas no atendimento na Maternidade Municipal Dr. Mário Niajar, em Alcântara, São Gonçalo.
O velório e o sepultamento aconteceram durante a tarde e foram marcados por manifestações de tristeza, revolta e pedidos de justiça por parte de familiares e pessoas próximas.
Bianca cursava o terceiro período na Universidade Lusófona e deixa três filhos, entre eles o recém-nascido Miguel. O caso vem sendo denunciado por familiares e testemunhas, que relatam uma série de possíveis falhas no atendimento desde o parto, ocorrido no dia 30 de março.
Segundo relatos de pacientes que dividiam a enfermaria com a estudante, os primeiros sinais de agravamento do estado de saúde surgiram pouco depois do nascimento do bebê. Testemunhas afirmam que Bianca apresentava extrema fraqueza e fortes dores de cabeça, mas que suas queixas teriam sido inicialmente ignoradas pela equipe de plantão.
No dia seguinte, 31 de março, o quadro evoluiu para uma hemorragia grave. Pessoas que estavam no local afirmam que a jovem chegou a permanecer deitada sobre o próprio sangue no leito e foi levada ao banheiro em estado crítico. De acordo com um dos relatos, Bianca teria sido deixada sentada no vaso sanitário mesmo apresentando sinais de palidez intensa e grande perda de sangue.
| A paciente foi colocada sobre uma possa de sangue, segundo testemunhas. |
Apesar da gravidade do quadro e da necessidade de transfusões ainda dentro da unidade, Bianca recebeu alta médica no dia 2 de abril. A decisão passou a ser um dos principais pontos questionados pela família, que afirma que a estudante não estava plenamente estabilizada.
Três dias depois, já em casa, Bianca sofreu uma nova hemorragia de grande intensidade. O marido da jovem a levou novamente à maternidade por volta das 14h do dia 5 de abril. Segundo os familiares, a transferência para uma unidade hospitalar de maior complexidade teria ocorrido apenas cerca de seis horas depois.
Na tentativa de salvar a vida da estudante, os médicos realizaram uma histerectomia de emergência, procedimento cirúrgico que consiste na retirada do útero. No entanto, o quadro de choque hipovolêmico, provocado pela grande perda de sangue, já estava em estágio crítico.
Bianca sofreu três paradas cardíacas e teve a morte confirmada na noite de segunda-feira.
A família também aponta inconsistências nas informações médicas fornecidas durante o atendimento. De acordo com parentes, em um primeiro momento foi mencionada a possibilidade de uma infecção bacteriana, antes da confirmação do choque hemorrágico como causa do agravamento do quadro.
Para os familiares, a morte da estudante não foi uma fatalidade, mas consequência de uma assistência que, segundo eles, teria ignorado sinais claros de emergência obstétrica.
Até o momento, a direção da Maternidade Municipal Dr. Mário Niajar não apresentou detalhes técnicos sobre a decisão de conceder alta médica à paciente após o primeiro episódio de hemorragia.
O caso deverá ser investigado pelas autoridades competentes para apurar eventuais responsabilidades administrativas e criminais.
A SpingRV Notícias mantém espaço aberto para que a direção da maternidade apresente esclarecimentos ou posicionamento oficial sobre o ocorrido.
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