CAPITULO 5 - Viagem
CAPÍTULO 5
O coronel sentou-se, levou a mão à boca e permaneceu em silêncio, refletindo sobre a notícia que acabara de receber. Em seguida, estendeu o braço e entregou o bilhete a Carlota.
Dona Carlota leu o recado e levou a mão ao peito, como se não pudesse acreditar no que estava escrito.
O coronel voltou a olhar para ela e, depois, perdeu o olhar no vazio. Jogou o jornal sobre a cadeira da varanda e levantou-se.
Carlota — O que o senhor vai fazer, meu marido?
Coronel Augusto — Vou me arrumar e seguir até a redação do jornal. Quero saber se eles têm mais alguma informação. Um conhecido que trabalha lá fez questão de me enviar esse recado. Enquanto isso, não diga nada a Glorinha.
Carlota — Sim, não se preocupe.
Tenório estava enchendo alguns galões na tina e observava toda a movimentação. Havia visto o menino entregar o bilhete ao coronel e percebeu, pela expressão do patrão, que não se tratava de uma boa notícia.
A mucama entrou no quarto com uma expressão diferente. Glorinha havia sido criada por ela desde pequena e conhecia cada mudança em seu semblante.
Glorinha — O que foi, mucama? Por que está com essa cara?
Maria Sabiá — Sinhá... eu não queria esconder nada de vosmecê, mas tenho medo de contar uma coisa que ouvi. Se a senhora comentar com alguém, posso acabar sendo castigada.
Glorinha — Desembucha de uma vez, escrava! Não vou contar para ninguém.
Maria Sabiá olhou para os lados, aproximou-se da jovem e baixou a voz.
Maria Sabiá — Vosso pai recebeu um bilhete hoje cedo. Veio do jornal. Dizia que o filho do barão, que vinha visitar esta casa esta noite... ele... ele morreu, sinhá.
Glorinha levou as duas mãos ao peito, assustada.
Glorinha — Como assim? Morreu como?
Maria Sabiá — Ainda ninguém sabe ao certo. Estão desconfiando que tenha sido um assalto. Dizem que ele transportava um baú cheio de ouro. Foi isso que contaram ao seu pai. O baú desapareceu.
Glorinha permaneceu em silêncio. Dentro dela havia uma mistura de medo e alívio.
Glorinha — Maria... não sei se isso é bom para mim ou se é ruim.
Maria Sabiá fez o sinal da cruz.
Maria Sabiá — Vixe, Maria! Morte nunca é coisa boa, sinhá. Deus me livre.
Na manhã seguinte, todos estavam reunidos para o café.
Depois de beber um gole de café, o coronel voltou-se para a filha.
Coronel Augusto — Minha filha, há muito tempo eu e o barão vínhamos conversando. Ficou acertado que você conheceria o filho dele. Achávamos que vocês poderiam se entender e, quem sabe, formar uma família.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar.
Coronel Augusto — Mas, ontem pela manhã, aconteceu uma tragédia. Ainda não se sabe se foram ladrões das estradas ou até mesmo negros fugidos. O fato é que o rapaz foi assassinado, e uma grande quantidade de bens que ele transportava foi roubada.
Glorinha levou a mão à boca, fingindo surpresa. Por um instante, olhou para Maria Sabiá, que imediatamente desviou os olhos.
O coronel prosseguiu.
Coronel Augusto — Terei de fazer uma viagem. Será rápida. Vou até Petrópolis negociar umas cabeças de gado que dizem ser das melhores da região. Devo permanecer por lá dois ou três dias. Mas não se preocupem. O capataz de minha inteira confiança ficará responsável pela segurança da fazenda e da casa durante a minha ausência.
Coronel Augusto — Mas, ontem pela manhã, aconteceu uma tragédia. Ainda não se sabe se foram ladrões das estradas ou até mesmo negros fugidos. O fato é que o rapaz foi assassinado, e uma grande quantidade de bens que ele transportava foi roubada.
Glorinha levou a mão à boca, fingindo surpresa. Por um instante, olhou para Maria Sabiá, que imediatamente desviou os olhos.
O coronel prosseguiu.
Coronel Augusto — Terei de fazer uma viagem. Será rápida. Vou até Petrópolis negociar umas cabeças de gado que dizem ser das melhores da região. Devo permanecer por lá dois ou três dias. Mas não se preocupem. O capataz de minha inteira confiança ficará responsável pela segurança da fazenda e da casa durante a minha ausência.
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