BUSCAS CONTINUAM NO HIMALAIA APÓS DESLIZAMENTO ENTRE NEPAL E CHINA
NÚMERO DE MORTOS CHEGA A QUASE 800, ENQUANTO MAIS DE 3 MIL PESSOAS CONTINUAM DESAPARECIDAS
Desastre provocado pelo colapso de uma geleira atingiu áreas do Nepal e do Tibete chinês; equipes de resgate enfrentam mau tempo, novos deslizamentos e risco de inundações.
NEPAL/CHINA — As equipes de emergência continuam, neste domingo (31), as buscas por sobreviventes após um dos mais graves desastres registrados recentemente na região do Himalaia. O número de mortos chegou a 797, considerando os registros divulgados por Nepal e China, enquanto mais de 3 mil pessoas permanecem desaparecidas.
Segundo as autoridades nepalesas, 781 pessoas morreram e 2.502 estão desaparecidas no país. Do lado chinês, no condado de Gyirong, no Tibete, foram confirmadas 16 mortes e 546 desaparecidos. Entre os desaparecidos na região chinesa estão estrangeiros de diferentes nacionalidades.
A tragédia começou na quarta-feira (26), quando um grande deslizamento associado ao colapso de uma geleira desencadeou uma enorme corrente de água, gelo, pedras, lama e outros detritos. A força da enxurrada avançou pelos vales e rios da região, destruindo estradas, pontes, construções e instalações de geração de energia.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre. A China relacionou o episódio às mudanças climáticas e à crescente instabilidade das geleiras do Himalaia. Especialistas também apontam que o aquecimento da região pode contribuir para o aumento de eventos extremos relacionados ao gelo e à água.
RESGATE ENFRENTA NOVOS RISCOS
As operações de busca vêm sendo interrompidas em alguns momentos por causa das condições meteorológicas e do risco de novos deslizamentos e inundações. Um lago formado após o desastre chegou a transbordar, aumentando a preocupação das autoridades com novas ondas de água e detritos.
Drones utilizados pelas equipes de emergência também identificaram um novo deslizamento que formou outra espécie de barragem natural a jusante, criando uma ameaça adicional para as áreas localizadas abaixo da região atingida.
O terreno montanhoso, a destruição de estradas e pontes e as dificuldades de comunicação tornam o trabalho das equipes de resgate ainda mais complicado. No Nepal, militares e equipes especializadas trabalham em áreas onde trabalhadores de projetos hidrelétricos também ficaram presos ou desapareceram.
NÚMEROS AINDA PODEM AUMENTAR
As autoridades alertam que os números são provisórios e podem sofrer alterações à medida que novas áreas sejam alcançadas pelas equipes de resgate e os registros de desaparecidos sejam atualizados.
Enquanto as buscas continuam, familiares de moradores, trabalhadores e turistas desaparecidos aguardam informações sobre seus parentes. A dimensão da destruição, entretanto, ainda não foi totalmente calculada.
O desastre ocorre em uma das regiões mais vulneráveis do planeta às mudanças ambientais, onde o derretimento de geleiras, chuvas intensas e instabilidade das encostas podem provocar eventos de grande proporção.
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