BARRETO: POR QUE ESTE BAIRRO DE NITERÓI CAIU NA DECADÊNCIA?

O BAIRRO TINHA UM DOS MELHORES CARNAVAIS DE RUA DO BRASIL

CIA de Tecidos Manufatura Fluminense.
A fábrica lutou contra a crise que se iniciou na década de 70, mas a recuperação, nunca veio de fato. Foto: SpingRV


O bairro do Barreto, por volta dos anos de 1600...1700, tinha uma parte que era banhada pela Baia de Guanabara, e uma parte era um mangue. Depois disso surgiu uma grande fazenda denominada de Caboró, era detentora da maior parte do território. O dono da Fazenda Caboró era o Frei José Barreto Coutinho de Azevedo Rangel, e daí a origem do nome do bairro.

Depois, parte da fazenda Caboró, deu lugar a outra fazenda, onde dois irmãos passaram a ser donos e que recebia o nome de Fazenda São Pedro. A parte da Fazenda São Pedro, é o local onde hoje está o cemitério Maruí.

Os donos da Fazenda São Pedro, construíram uma capela dentro da Fazenda, e essa capela está de pé até hoje, onde é o cemitério Maruí. Os irmãos que idealizaram a construção da capela chamavam -se Francisco Vitoriano Pereira e José Pereira Correia.
A capela começou a celebrar missas oficialmente em 1751, e recebeu a benção do bispo do Rio de janeiro naquela ocasião.

De um valor histórico incalculável, a capela de São Pedro, construída com mão de obra de escravos, se encontra atualmente em completo estado de abandono. 


Quando a Fazenda São Pedro tornou -se o cemitério Maruí, o proprietário da Fazenda era o senhor, Domingos Ferreira Bastos, que a vendeu ao Governo Provincial, em 1853, para construção de um cemitério público.
Conta -se que a primeira pessoa a ser sepultada naquelas terras, foi uma escrava que trabalhou na Fazenda São Pedro.
Mas o primeiro sepultamento a ser registrado aconteceu em 1º de novembro de 1855. Naquela época, houve uma grande epidemia de cólera, e temos que registrar aqui um acontecimento super importante que passou a ser uma tradição entre os brasileiros.
Muitos cemitérios do estado do Rio de janeiro, precisaram de mão de obra voluntaria para sepultar os mortos devido à epidemia.
Porém, o preço pago para os voluntários que queriam trabalhar sepultando os cadáveres era baixo, e os que tinham coragem de trabalhar, geralmente eram homens alcoólatras, que pegavam o pouco de grana para beber.
Não se sabe ao certo quem teria dado a ideia de dizer ao prefeito na época que tomar cachaça com limão, protegia quem estava trabalhando no sepultamento de pegar a doença.
Foi então que o prefeito de Niterói, na época, teria começado a pagar a gorjeta pelo sepultamento, mais a cachaça com limão.
A ideia se espalhou pelas cidades vizinhas, e depois por todo estado do Rio de Janeiro.
Nascia assim a famosa Caipirinha, o qual é uma bebida genuinamente brasileira conhecida no mundo inteiro.
O bairro do Barreto começou a crescer rapidamente, e oque fez o número populacional crescer ainda mais, foi a fundação da fábrica de Tecidos COMPANHIA MANUFATORA FLUMINENSE, fundada em 11 de abril de1893, por Joaquim José Rodrigues Guimarães Júnior, Jose Domingues Teixeira Valle e outros sócios.
Após a Primeira Guerra Mundial, que terminou em 1918, a fábrica foi vendida para Severino Pereira da Silva, e depois durante a sua existência foi vendida outras vezes.
Nos anos de 1950 a 1960, o bairro do Barreto, já tinha uma grande população, e frequentadores assíduos vindos de cidades vizinhas como Itaboraí, e São Gonçalo que vinham para trabalhar nas fábricas que haviam no Barreto, e até para o lazer, pois o Barreto, tinha uma bela praia, e tinha clubes que ficaram muito conhecidos devido aos bailes de carnaval.

A população do Barreto, não se deu conta de que o fim da praia do Barreto, na década de 60, seria um tiro no pé do comércio local e para o turismo niteroiense, 


Além dos clubes, haviam duas casas de prostituição muito conhecidas na época. Uma ficava em frente ao cemitério Maruí, e era conhecida na época como Conchinha, e a segunda, quase em frente a praça do Barreto, que era conhecida como Cantinho da Ana Preta, onde atualmente funciona um estacionamento.
O Barreto, era conhecido pelos bailes de carnaval do clube Humaitá, e seu carnaval de rua.
Havia no Barreto muitas fábricas, uma delegacia que ficava na rua doutor March, ao lado das Casas Pernambucanas.
  
O DECLÍNIO E A DECADÊNCIA DO BARRETO.


Nos anos 1970, o país passou por uma grande crise financeira, e diversas fábricas e lojas no Barreto começaram a fechar.
Muitos trabalhadores começaram a ser demitidos, e o número de passageiros que utilizavam a linha do trem que vinha de Itaboraí, até o centro de Niterói, começou a cair.
Começou assim o declínio do bairro que gradualmente foi perdendo fábricas e com isso o comércio do bairro também foi se enfraquecendo.
No início da década de 80, já era evidente que o Barreto não era mais um polo industrial.
Clubes como SOM BRASIL, fecharam as portas, e até a delegacia que havia no bairro foi tirada no fim da década de 80.
A fábrica de tecidos, ainda tentou resistir a decadência, mas também fechou as portas completamente no início da década de 90.
Muitos ex- funcionários da fábrica de tecido Fluminense, e filhos de ex - funcionários conseguiram ficar com casas que pertenciam à fábrica, e estão morando no bairro até hoje.
Como não havia mais passageiros para transportar, o trem passou a fazer apenas 3 viagens diárias, entre Visconde em Itaboraí, e até o Buraco do Boi. Depois a linha férrea foi extinta e a população tem sido enganadas pelos governos que se sucedem prometendo a linha 3 do metrô entre São Gonçalo e Niterói que nunca saiu do papel.
Segundo registros, a última viagens desta linha entre a Estação Maruí e a Estação de Visconde, aconteceu em 2007, encerrando assim uma parte da história do Barreto.
Manobra de uma antiga locomotiva na estação Maruí, em Niterói. Acredita -se que a foto tenha sido tirada nos anos 30. O autor é desconhecido.


É importante salientar, que o bairro do Barreto cresceu em número de moradores, mas como um dos principais polos industriais que já foi no Brasil, o bairro hoje em dia não é sombra do que foi no passado.
O Barreto, hoje, não é mais um bairro industrial, e não gera mais empregos como gerou no passado.
O intuito desta matéria não é falar de todas as indústrias e comércios do bairro que existiram, mas apenas contar um pouco da história do bairro.

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