ENGENHO PEQUENO E ZUMBI EM SÃO GONÇALO TEM RUAS SEM INTERNET: MORADORES DO ENGENHO PEQUENO RELATAM UM MÊS SEM SERVIÇO
Comunidade do Zumbi enfrenta interrupção após criminosos impedirem acesso de técnicos às antenas no bairro.
Moradores do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, denunciam bloqueio do tráfico que impede reparos e deixa ruas sem internet há cerca de um mês.
Moradores de pelo menos duas ruas do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, afirmam estar há cerca de um mês sem acesso à internet devido a uma suposta determinação de criminosos que atuam na região. Segundo relatos, equipes técnicas das operadoras não conseguem acessar antenas instaladas no bairro para realizar manutenção, por falta de segurança e proibição imposta pelo tráfico local.
Na Comunidade do Zumbi, uma moradora, que preferiu não se identificar por receio de represálias, contou que a interrupção começou no dia 19 de janeiro. Desde então, ela não consegue trabalhar em regime de home office, o que tem provocado prejuízos financeiros e profissionais.
Outro relato aponta que o problema se agravou após o período de chuvas, quando equipamentos das operadoras Claro e Vivo apresentaram falhas técnicas. Técnicos enviados ao local teriam sido impedidos de acessar as antenas para realizar os reparos.
Sem conexão, moradores relatam dificuldades até para acionar serviços essenciais. “Não conseguimos chamar o Samu ou os Bombeiros. Há pessoas sem energia que precisam ligar para a Enel e não conseguem. Para resolver qualquer coisa, precisamos sair do bairro para ter sinal”, afirmou uma residente.
Comerciantes também enfrentam transtornos. Segundo denúncias, apenas um provedor estaria operando na região, mas sem capacidade para atender toda a demanda. A precariedade atinge inclusive ligações telefônicas.
Apesar das denúncias, não há registro formal de ocorrência sobre a interrupção do serviço na 73ª DP (Neves), delegacia responsável pela área.
Denúncias anônimas indicam que a ordem para impedir o acesso às antenas teria partido do chefe do tráfico da região. Segundo informações, ele já foi preso em 2014, permaneceu cerca de um ano no sistema prisional e atualmente não possui processos em andamento.
Em nota, as operadoras Claro e Vivo confirmaram que o bloqueio de acesso às equipes técnicas compromete manutenções e instalações. As empresas afirmaram que situações semelhantes têm ocorrido em outras localidades e destacaram que as restrições colocam em risco a integridade dos profissionais e prejudicam o fornecimento de serviços essenciais de telecomunicações.
As operadoras defenderam a necessidade de ações coordenadas entre Judiciário, Legislativo e Executivo, nas esferas federal, estadual e municipal, para garantir segurança às equipes técnicas e assegurar que a população tenha acesso pleno aos serviços.