POLÍCIA ADMITE ERRO EM PRISÃO DE JOVEM INOCENTE, MAS JUSTIÇA MANTÉM DETENÇÃO EM BANGU

Caso de Rayane Carla expõe desigualdade no sistema penal e lentidão da Justiça diante de erros cometidos contra cidadãos pobres

Foto: reprodução


Mesmo após a Polícia Civil admitir o erro na prisão de Rayane Carla Rodrigues de Oliveira, de 22 anos, a jovem permanece presa em Bangu, enquanto familiares e amigos clamam por justiça. O caso aconteceu após um equívoco no reconhecimento fotográfico que a apontou como autora de um assalto à mão armada a uma farmácia no Méier, na Zona Norte do Rio.

Rayane foi detida no dia 16 deste mês por agentes da 10ª DP (Botafogo) enquanto jantava com o namorado em um restaurante na Urca. Segundo a corporação, os funcionários da farmácia a reconheceram a partir de uma foto retirada de suas redes sociais, o que levou à sua prisão.

Dias depois, a própria Polícia Civil reconheceu o erro. “Houve um equívoco no reconhecimento feito pela vítima. A delegacia encaminhou as informações à Justiça e ao Ministério Público para auxiliar na decretação da liberdade dela”, informou a instituição em nota.

Mesmo com o reconhecimento oficial do engano, a Justiça ainda não concedeu liberdade à jovem, e o processo tramita em segredo de Justiça. Familiares relatam angústia e indignação com a demora. “Quem conhece a Rayane sabe que ela é uma trabalhadora honesta, de carteira assinada. Está pagando por algo que não fez”, desabafou o namorado da vítima nas redes sociais.

Desde a prisão injusta, a família e amigos vêm denunciando o caso e organizaram uma manifestação em frente à Cidade da Polícia, pedindo pela libertação da jovem com faixas que diziam: “Justiça para Rayane”.

O assalto que motivou a prisão ocorreu em 23 de maio, quando cerca de R$ 100 mil em produtos foram levados de uma farmácia no Méier. No entanto, nenhuma prova concreta liga Rayane ao crime, e a própria polícia reconheceu a falha.

A situação reacende o debate sobre a desigualdade de tratamento no sistema judicial brasileiro. Em casos semelhantes, pessoas com influência e recursos financeiros dificilmente permanecem presas até a total apuração dos fatos. Já cidadãos pobres, como Rayane, enfrentam a lentidão de um sistema que deveria protegê-los, mas que acaba por punir inocentes.

Além do erro policial, o caso também evidencia a fragilidade do reconhecimento fotográfico. Desde outubro de 2023, uma lei estadual proíbe que esse tipo de reconhecimento seja o único elemento para embasar pedidos de prisão, exigindo cruzamento de dados e outras provas complementares.

Enquanto isso, Rayane continua encarcerada, aguardando que a Justiça corrija o erro que já destruiu sua rotina e expôs uma ferida antiga da sociedade brasileira: a de que, quando o suspeito é pobre, a liberdade custa mais caro.

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